segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Vivam os Veterinários!

Na passada madrugada, tive que me deslocar às urgências do hospital, tinha sido mordida por um gato no dia anterior (ossos do ofício). Por volta da meia-noite as dores eram bastantes e o inchaço do dedo e mão eram significativos, além de um mal-estar geral. Não eram horas de telefonar a nenhum médico conhecido a pedir um conselho, por isso, depois de adiar a ida por 1 hora, teve mesmo que ser, estava a tornar-se difícil de suportar. Lá fui eu para as urgências.
A enfermeira fez a triagem normalmente e foi-me colocada a pulseira verde, claro, não era nada de grave. Sentei-me nas cadeiras do corredor à espera que algum “doutor” me pudesse OBSERVAR e aliviar o meu mal-estar. Ali fiquei algum tempo, aquilo, felizmente, não estava muito agitado, eram cerca das 2 horas da manhã.
Depois de alguma espera, apareceu uma médica espanhola, que me perguntou unicamente, ainda no corredor: “não estás grávida?”, ao que eu consegui responder negativamente, antes de vir um outro doutor, que, quase a 2 metros da minha mão e de passagem diz, não para mim, mas para a outra médica: “nem sequer desinfectado está”, indicou à outra aquilo que me havia de receitar, enquanto eu tentava balbuciar algumas palavras de indignação perante a observação dele, ao que ele retorquiu que eu nem tinha a mão PINTADA!!! Dizia ele que os desinfectantes PINTAM!!! (E eu que não fui prevenida para um encontro de Body Painting!!!). Para sua informação, Sr. Doutor, há um desinfectante chamado clorhexidina, talvez não conheça, que NÃO PINTA!!!
Ninguém me fez mais pergunta nenhuma, cada um foi para seu lado e eu ali continuei, no mesmo corredor onde tinha sido “observada”, vermelha de raiva, com vontade de arrancar a pulseira verde, fugir dali e ir de seguida à farmácia comprar o tal antibiótico que o tal doutor indicou à sua colega. Mas fiquei, não sabia qual era prescrição correcta do antibiótico… Também na inocência de pensar que quando a médica regressasse me iria ver a mão e ouvir a HISTÓRIA PREGRESSA que eu teria para responder! Que inocente, a escola deles é a mesma! Entregou-me a receita, fiquei a saber que tinha que tomar o tal antibiótico de 8 em 8 horas… Depois, a enfermeira pintou-me o dedo com Betadine. Como não tive oportunidade de o dizer aos tais doutores disse à enfermeira: "eu sou veterinária e trato mil vezes melhor os meus doentes que estes médicos".
E esta lenga-lenga para quê? Para dizer que quando os meus clientes me dizem que os seus animais são mais bem atendidos pelo Médico Veterinário do que eles pelo Médico, não é só para encher o nosso ego, é a mais pura das realidades. A mim já me tinha sido mostrada um pouco dessa realidade, mas esta ida às urgências fez-me acreditar!
Estes médicos, não sabem o que é levantar da cama numa noite ou manhã de Inverno (ou Verão), para ir ver um cão que acabou de ser atropelado, ou um gato que está doente há 8 dias mas agora é que é urgente. Pois não, eles estão lá nas urgências nessa noite, manhã ou tarde, estão de banco, quer eu lá vá com um dedo inchado, quer eu esteja a dormir na minha cama, ou a suturar um animal na clínica!
Estou mesmo arrependida de não ter pedido o livro de reclamações e fazer queixa desse (desses) médico, que, como tudo o que ele disse na minha presença foi praticamente de costas para mim, eu não tive o prazer de ler o seu nome completo.
Da próxima vez que me acontecer uma situação parecida, já sei: ou me auto-medico, ou tomo um medicamento veterinário dos que receito aos meus doentes, talvez me faça melhor, psicologicamente fará de certeza!
Obrigada, a todos aqueles que nos trazem os seus animais e que nós tratamos com carinho, mesmo que nesse momento o dedo esteja a doer.
Vivam os Veterinários!
Ass.: Joana Ribeiro, Médica Veterinária

4 comentários:

sampito disse...

É assim... nada como o velho livro de reclamações, ou o: pode-se identificar se faz favor?

Pedro Ribeiro disse...

Só é pena que isso seja cada vez mais comum. "Estamos nós aqui a dormir nas caminhas do hospital, feitas de propósito para nós, (sim, porque os enfermeiros se quiserem fechar um olhinho têm que se desenrascar numa maca, sofá ou até cadeira), estamos a ganhar muito mais do que de dia e a fazer muito menos (ou não, ou fizessem mais durante o dia) e vêm estes doentes que não sabem escolher hora para adoecer, acordar-nos (se acordarem) para nós os tratarmos (ou não)."
Não se escolha a hora de adoecer e é triste uma pessoa adoecer e quase nem com o médico de família pode contar.
Concordo com o 'sampito', se o livro de reclamações existe é para se usar.

Lurdes disse...

Todos os cidadãos que trabalham fazem os seus descontos para a segurança social e esperam ter um serviço adequado ás suas necessidades, mas temo que com profissionais assim é muito difícil o país evoluir!
Infelizmente conheço bem a realidade porque a Dra. passou...
Temos é que deixar de pactuar com situações destas e começar utilizar os livros de reclamações!

Luis Silva disse...

Infelizmente são os serviços de saúde que temos (ou não). Concordo plenamente que os nosso bichos são melhor tratados que muitos de nós. Pessoalmente vou pensar em quando precisar recorrer aos serviços da Dra. Joana. Beijinhos e as melhoras.